Teoria do não-objeto: fichamento

O meu entendimento de não-objeto baseia-se em três pilares fundamentais, cada um que o torna distinguível de objetos convencionais ou outras obras de arte: 1. Não é uma representação de nada, é uma presentação Não objetos são uma pura aparência, não possuem utilidade prática e não permitem a interpretação de signos, de metáforas ou de significações ocultas. Esse é o primeiro aspecto que os diferencia de pinturas ou esculturas nos modos mais convencionais. Contudo, esse primeiro aspecto, por si só, não é capaz separar os não-objetos de obras como quadros ou esculturas do concretismo ou os ready-made, que, segundo Ferreira Gullar, tem sua limitação no processo de transfiguração do objeto na medida em que se funda menos nas qualidades formais do objeto que na sua significação, nas suas relações de uso e hábito cotidianos. Em breve aquela obscuridade característica da coisa volta a envolver a obra, reconquistando-a para o nível comum. Nesse front, os artistas foram batidos pelo objeto. Logo, seguimos para o segundo aspecto: 2. Utilizar do espaço como parte constitutiva da obra Os não-objetos, banindo a moldura e a base, esses meio-termos entre a ficção e a realidade, passam a ativar o ambiente em que se inserem. Instalações e trabalhos como os de Richard Serra e Amilcar de Castro inserem-se nessa característica, contudo, não apresentam uma última: 3.O não-objeto só se torna completo através da relação ativa com o espectador É de grande importância que as obras possam ser apreendidas não apenas pelo olho mas pelos vários sentidos do homem. Os artistas buscam transformação da sensibilidade humana. Segundo Mário Pedrosa, sobre Hélio Oiticica, "Foi durante a iniciação ao samba que o artista passou da experiência visual, em sua pureza, para uma experiência do tato, do movimento, da fruição sensual dos materiais, em que o corpo inteiro, antes resumido na aristocracia distante do visual, entra como fonte total da sensorialidade". Por fim, os não-objetos são uma experimentação, uma presentação inserida no espaço sem intermédios e que depende, obrigatoriamente, da relação com o interlocutor.

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